Os desafios técnicos dos Jogos Olímpicos

Rosalfonso

Tida como uma das palestras mais aguardadas do segundo dia de AES Brasil Expo, a “Sobre os Planejamentos dos Sistemas de Áudio, Vídeo e Intercom para os Jogos do Rio 2016”, foi recebida por uma sala cheia e muita curiosidade sobre o imenso trabalho de preparação dos vindouros Jogos Olímpicos. A apresentação foi ministrada por Rosalfonso Bortoni, engenheiro responsável pelas soluções de Áudio, Vídeo e Intercom do evento.

“Sonorizar uma olimpíada é algo muito peculiar, e foi essas peculiaridades que vim tratar com vocês hoje aqui”, começou o palestrante. De acordo com Bortoni, cada uma das Venues, que receberão as 41 modalidades, estão divididas em diferentes zonas do Rio de Janeiro, criando logo de início um grande desafio logístico.

Outro grande ponto é a dicotomia com a transmissão televisiva. Coordenada pela OBS (Olympic Broadcast Services), empresa responsável por todo o trabalho de captação, gestão e transmissão do conteúdo para as emissoras de TV ao redor do mundo, os trabalhos de broadcast é sempre prioridade na hora do planejamento. “No espaço onde os jogos estão sendo realizados, há milhares de pessoas, já pela televisão são centenas de milhões de espectadores. Então existe sim uma prioridade”, explica o engenheiro. Com esta premissa em vista, cada instalação dentro das Venues, mesmo de um sistema de PA, por exemplo, é feita levando em conta posicionamento de câmeras, microfones e equipe de televisão.

O tempo também é um fator importante para se considerar na preparação. Com os jogos marcados para acontecer durante 15 dias de agosto, todo o equipamento necessário precisa estar instalado em Julho, não havendo espaços para grandes mudanças depois desta data. “Por fim, transcorrido estes 15 dias, há um período de transição e começam as Paralimpíadas, que duram mais 10 dias e usam a mesma estrutura”, explica Bortoni.

Atenção no detalhe

Uma das curiosidades contadas por Rosalfonso Bortoni se deu na captura do áudio da prova de Ciclismo de Velocidade. “As bicicletas modernas praticamente anulam o atrito com o chão, isso gera um ruído extremamente baixo de rolagem”, explica. Apesar disso, assistir a prova sem o som do atrito soa sem emoção, e exigiu criatividade da equipe da OBS.

“Para trazer esta sonoridade de volta à transmissão, são posicionados centenas de microfones de lapela por toda a extensão da pista, colados ao chão”. Todo o áudio é envaido a matrizes e depois mixado para entregar a experiência em 5.1. “É este tipo de detalhe que se trabalha quando se fala em Jogos Olímpicos”, concluiu.

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